Celso Morisson



Sou Celso Morisson e minha história com esse esporte começou há exatos 5 anos, quando passei pelo maior teste da minha vida.
Sofri um traumatismo craniano, que é um tipo de contusão/lesão na cabeça, em virtude de uma queda.
Fui levado ao hospital, para efetuar a sutura do corte e minha mãe, insistiu que efetuassem a tomografia.
O médico informou que não havia necessidade e eu saí do hospital ainda inconsciente (pois não lembro de nada) e fui para minha casa.
Acordei de madrugada muito enjoado, com vômitos persistentes , confusão mental e irritabilidade. Já não falava nada com coerência.
Minha mãe percebeu que algo grave estava acontecendo e ligou para minha irmã, que é médica. Ele pediu para falar comigo ao telefone e ao notar que eu realmente estava tendo uma complicação do quadro, em virtude da queda. Ela pediu que não me deixassem dormir e que me encaminhassem imediatamente para uma nova emergência, o mais rápido possível.
E ela não estava enganada. Ao chegar no hospital o médico me conduziu para efetuar a Tomografia, efetuou alguns procedimentos de rotina, para compreender o grau da minha situação.
Foi quando passei pela minha mãe, deitado na maca.
O médico informou, que eu estava correndo risco de vida e tinha indicação imediata de cirurgia de urgência em virtude de um hematoma de fossa posterior, com contusão de cerebelo.
Minha mãe lembra que nesse momento, eu a segurei, deixei uma lágrima cair sobre meu rosto e pedi que não me deixasse.
Ela fala que foi o pior momento, pois alí ela só podia deixar nas mãos de Deus e toda a sua força que tinha para me proteger, agora teria que ser chamada de fé.
Sinceramente tudo na vida tem uma explicação. Sou devoto de São Judas Tadeu e foi lá no Hospital Adventista Silvestre, que pude ser recebido por uma equipe de médicos, excepcionais. Para quem não sabe esse hospital fica bem próximo à igreja de São Judas Tadeu e por coincidência o meu plano indicava esse hospital. De alguma forma isso faz todo sentido para mim.
A operação foi demorada, todavia foi um sucesso.
Eu apresentei aumento da pressão intracraniana e precisei permanecer internado no CTI.
Agora era aguardar, pois o pós operatório, que falaria exatamente se eu continuaria a minha vida.
Como foi grave, havia o risco de ficar com algumas sequelas, como: 
A perda do equilíbrio.
A dificuldade de realizar movimentos rápidos e alternadamente (Disdiadococinesia).
A imperfeição na hora de um movimento(dismetria). É quando o indivíduo é por exemplo solicitado para, de olhos fechados fazer algum movimento e depois tocar com a ponta do indicador no seu nariz ou orelha e esse movimento não atinge o alvo pedido.
Foram 3 dias de CTI onde a energia dos amigos, a força da minha família e o empenho da minha irmã ajudaram diretamente na minha volta.
Para mim, foi um sonho, onde pude encontrar com alguns anjos e entender o grande valor da vida.
Realmente fica muito difícil passar o que eu vi e vivi.
Mas como essa história é de superação, não poderia deixar de contar esse desfecho.
O médico havia informado que eu ficaria possivelmente uns 5 dias na CTI.
Para que eu não usasse minhas mãos e mesmo desacordado, acabasse fazendo alguma coisa, elas eram estabilizadas, aos ponto de eu não conseguir movê-las.
Até que no terceiro dia, enquanto minha irmã e minha mãe, conversavam com o Dr, sobre minha evolução eu entrava em um sonho que guardo para vida.
Eu me lembro perfeitamente que nesse sonho eu descia de um elevador, com 3 almas( que tenho certeza que eram meus anjos. Ao sairmos do elevador, nos defrontamos com um caminho longo e uma luz forte. Nesse momento eu chorava e dizia que não queria ir, pois para mim era o fim de uma vida para o começo de outra, que geralmente dizemos que é no céu.
Então me falaram: Pare de chorar! Vamos contar até 3 e no 3 vamos correr e rir. 1, 2, 3 e foi isso o que eu fiz, ainda com as lágrimas em meu rosto( parece história de novela, mas foi exatamente o que ocorreu comigo e a única coisa que eu me lembro).
Eu estava enganado, aquela luz era dessa vida. Então levantei o meu corpo com toda a minha força e desacordado, levei a minha boca para as minhas mãos que se encontrava presa, pois queria respirar.
E o médico falou: Vai ser mais rápido do que esperávamos. Ele acordou!
Quando eu acordei e voltei à abrir os meus olhos depois de alguns dias desacordado, eu não lembrava de nada que havia acontecido, somente do meu sonho.
Esse é basicamente o resumo dessa história, de encontros, tristezas, força, fé e superação.

Na maratona desse ano, quando coloquei o primeiro tênis, lembrei de vários dias que acordei cedo para correr e me peguei agradecendo à Deus, por ter me retornado o dom de ir e vir.
Tive o prazer de reduzir o meu tempo, me emocionar com as novas conquistas e de me sintonizar com Deus, enquanto fazia 42 novas histórias!

Foi com a corrida que perdi 22kgs, adquiridos depois da cirurgia.
É ela que me desestressa, me ensina o limite, me conduz aos desafios, me coloca em sintonia com o corpo e a mente, me evolui  e me evidencia diariamente, de que tempo é a moeda da vida.

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